quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CCL ajuda MT a entrar na rota da união das fronteiras artísticas

Kako Alves (ao fundo), Assol Garcia e Manuel Candinho foram as atrações do segundo dia do Circuito
Foto: Davi Couto Valle - Secom/MT


Unir fronteiras e abrir caminhos para os talentos artísticos dos países da Língua Portuguesa que não têm a oportunidade de serem conhecidos pelos países irmãos de língua. É o que espera o diretor do núcleo de Música de Cabo Verde e também violonista, Manuel de Candinho, que está em Mato Grosso participando do Circuito Cultural Lusófono (CCL) e se apresentou no segundo dia do evento junto com seus compatriotas: a cantora, Assol Garcia e o guitarrista, Kako Alves. Antes, o trio conheceu e ouviu a música do cantor mato-grossense, Amauri Lobo, que cantou músicas de autoria do poeta Antônio Sodré e da banda Caximir.
Segundo ele, a vontade de solidificar esta união já existia por parte do governo de Cabo Verde e a participação no CCL consolida ainda mais esta proposta. Candinho - que também é músico – garante que a parceria de intercâmbio entre Brasil e Cabo Verde é muito bem vinda e necessária. “O Circuito é uma oportunidade de mostrar aos países lusófonos o que, não só Cabo Verde, mas todos os países da língua portuguesa têm em relação à diversidade artística Essa mostra e possível mistura pode frutificar em novos ritmos”, avalia. Ele adianta que após o término do CCL no Brasil - que ainda segue para Minas Gerais e Ceará – já pensa em novos projetos para desenvolver junto aos países lusófonos tendo a música como carro-chefe.
Um desses talentos que está ganhando palco de conhecimento é a cantora Assol Garcia, que acompanhou Candinho e Kako. Com 23 anos e um ano e quatro meses de estrada musical ela conta que participar do CCL é uma boa oportunidade de conhecer o que andam fazendo do lado de cá e mostrar tudo o que é de lá. Assol foi descoberta por Candinho quando cantava num evento. Ele reconheceu seu potencial e quer apresentar sua voz ao mundo. Meta que ela aceita com alegria e mente aberta para também conhecer o que é feito por aqui.
Contente em participar também está Alves, que acredita que só faltam serem quebradas mesmo as fronteiras do desconhecimento do que é feito em cada país uma vez que a língua pode ser trabalhada artisticamente de forma tranqüila em todos os países lusófonos. “Diferença não há. Aqui no Brasil me sinto em casa porque em Cabo Verde também as pessoas são alegres, comem feijão e participam do carnaval como acontece aqui e também temos sonoridades parecidas como o samba e seresta”. Sendo assim, nada mais justo, conforme ele, que estes laços sejam estreitados e seja instigada a criatividade em conjunto através da troca. “Somos irmãos porque a Cidade Velha - primeira cidade de Cabo Verde - era de onde eram retirados os negros para serem trazidos ao Brasil”, lembra. Assim, no longo caminho, essa ligação dos ancestrais foi sendo quebrada ao aportar e deixar essas pessoas pelos países. Para ele, o CCL vem mostrar que está mais do que na hora de religar toda essa gente. Dessa vez, pela arte.
União para o desenvolvimento é justamente o grande objetivo do CCL, conforme explica o presidente da ong portuguesa Etnia, Mário Alves – entidade que realiza o projeto. Conforme ele, se não se abrem os caminhos não se pode conhecer e experimentar coisas novas no âmbito da arte, segmento que, vale destacar, nunca vem sozinho, pois seu crescimento leva junto não só a economia como também o desenvolvimento social de todo um país.
O secretário de Estado de Cultura, João Laino, informou que é totalmente a favor dessa ideia e lembra que, como desenvolver, também pela arte, é a palavra de ordem do governo do Estado, vai sempre buscar ser parceiro de iniciativas de troca como o CCL. Nessa linha a Secretaria de Estado de Cultura também já apoiou a vinda de outros eventos nacionais como o recente Prêmio Marcantonio Vilaça e a exposição Exílios da artista carioca, Paula Trope. 
Final
O evento termina nesta quinta-feira, às 20h, no Cine Teatro Cuiabá, com apresentação gratuita da peça "O incorruptível", de Hélder Costa, com atuação do ator português, Gil Filipe. O CCL é realizado pela ong Etnia com apoio no Brasil do Instituto Cultural Lusófono (ICL) e os Ministérios da Cultura do Brasil e de Cabo Verde em parceria no Mato Grosso com o governo do Estado através da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Sebrae, Móveis Dracma, Ótica Plena Visão, CAV, TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) e Integralmédica.


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